sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Combate o bom combate!

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo
as profecias de que antecipadamente foste objeto:
Combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa
consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa

consciência vieram a naufragar na fé.
1 Tm 1:18-19

Estamos em guerra. O mundo jaz no maligno (1 Jo 5:19), e cada um de nós foi escolhido por Deus para participar dos combates, dia a dia, até aquele glorioso momento em que, ao soar da trombeta, os anjos anunciarão: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11:15).

É preciso, porém, entender que não fomos chamados para um combate qualquer. Não nos chamou Deus para combatermos uns contra os outros, por causa de opiniões diferentes que possamos ter acerca de quaisquer assuntos, nem mesmo quando essas envolvem detalhes relacionados à sua obra. No que diz respeito ao convívio em sua igreja, ordenou-nos a unidade (João 17:15-21). Portando, o bom combate não nos coloca diante de adversários humanos, mas contra seres espirituais poderosos, que habitam as regiões celestiais (Ef 6:12) e que, exercem um alto grau de controle sobre este mundo em que vivemos.

Como nossos adversários não são humanos, não podemos pretender vencê-los se insistirmos em usar recursos humanos. O apóstolo Paulo nos ensina que nossas armas não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando sofismas e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo (2 Co 10:4-5).

Ora, isto significa que tais fortalezas satânicas se encontram na mente do homem, pois é lá que estão alojados os pensamentos que devem ser feitos prisioneiros obedientes de Cristo. Fortalezas são, portanto, as convicções anti-bíblicas que satanás introduz na mente dos homens, e que lhe permite controlar, até certo ponto, o seu comportamento, levando-os ao pecado e a uma vida de derrotas.

Tais fortificações satânicas existem nas mentes dos incrédulos em grande abundância, mas podem também existir nas mentes dos cristãos. É por isso que o apóstolo orienta-nos a nos transformarmos pela renovação da nossa mente (Rm 12:1-2).

Toda desavença entre crentes pode ter por trás de si uma fortaleza satânica. De acordo com Tiago, nossas guerras e contendas procedem de prazeres que militam em nossa carne, aos quais nos apegamos, e que ele qualifica como inimizade contra Deus (Tg 4:1-10).

Outro sinal indicativo da existência de fortalezas, ou padrões de pensamento contrários à Palavra de Deus, profundamente arraigados na mente de muitos cristãos, é sua profunda recusa em acreditar que Deus possa usá-los em sua obra, em função das condições e limitações específicas de suas vidas.

Satanás faz de tudo para que acreditem que não são capazes de realizar os desafios que a obra de Deus lhes propõe. E muitos, ignorando as promessas de Deus, esquecem-se que: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13) e chegam a passar anos a fio, sem testemunhar verbalmente acerca do amor de Cristo.

Outra evidência da existência de fortalezas satânicas é o pouco caso de muitos com relação aos imperativos divinos relacionados à santidade pessoal. Ter uma consciência tranqüila diante de Deus é essencial para uma vida vitoriosa.

Quantos têm vivido em dissoluções e contendas, criticando, ferindo, tornando a vida dos outros insuportável com suas práticas pecaminosas, seus gritos, suas calúnias, suas maledicências de toda sorte, enquanto crêem que, por terem se batizado em uma igreja evangélica, Deus está do seu lado e ignora seus padrões de vida pecaminosos. Triste ilusão, pois a maneira como tratamos os filhos de Deus a quem vemos, é sinal claro de como tratamos o próprio Deus a quem não vemos (Jo 4:20).

É, pois, imprescindível levar tais padrões de pensamento cativos a presença de Cristo. O apóstolo João nos adverte sobre a necessidade de não nos deixarmos enganar pelo diabo. E o sinal claro da evidência é “... aquele que pratica o pecado procede do diabo” (1Jo 3:7-8). Ter uma boa consciência é ter paz com Deus. Muitas vezes, por medo, ninguém nos diz onde estamos errando. Nosso coração, porém, é implacável, basta sondá-lo para descobrirmos a verdade (1 Jo 3:18-20)

A boa consciência é como o barquinho que, em meio as ondas do mar revolto, nos permite travar os maiores combates, sem o risco de naufragar. Se mantivermos boa consciência, atravessaremos o mar da vida, combateremos o bom combate, conquistaremos vitórias importantes para o reino de Deus, seremos frutíferos e realizaremos as obras que Deus nos confiou. Ao fim, sem perder, nem a calma nem a esperança, com uma fé inabalável, aportaremos em segurança, em uma praia de águas mansas e límpidas, onde o Salvador, de braços abertos, nos receberá dizendo: “... Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo (Mt 25:34). Soli Deo Glória.


Rev. Renato Barbosa

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